O cinema de animação e o cinema documentário são meus gêneros preferidos. Que orgulho ver um dos filmes que tive o prazer de participar tendo destaque. Ainda mais o filme do querido Otto, com produção da Martinha!

História da animação brasileira

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Por Andréia Prieto Gomes

Animação é uma simulação de movimentos criados a partir da exposição de imagens, ou quadros. Como nossos olhos só conseguem registrar 12 imagens por segundo, seqüências com mais de 12 imagens criam a ilusão de movimentos no desenho. As principais técnicas utilizadas para um filme de animação são 3D ou CGI, que é a animação produzida diretamente no computador através de programas como o 3ds Max e o Maya. 2D que é a animação com lápis e papel, também chamada de animação tradicional, onde cada pose do personagem é desenhada separadamente em uma seqüência lógica que, quando projetada em uma determinada velocidade (24 quadros por segundo), dá a impressão de movimento. Stop motion que é a animação feita com objetos reais, sejam bonecos de massinha ou qualquer outro objeto fotografado quadro a quadro. Cutout que é a animação feita de recorte de papel seguindo a mesma técnica do 2D e do stop motion.

Em 28 de outubro de 1892, Emile Reynaud apresentou no museu Grevin, em Paris a primeira projeção do seu teatro óptico iniciando assim o desenho animado no mundo. Devido à importância desse fato, a data é considerada como o dia da Animação Internacional. Para comemorar esta data, em 2002, a Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA) lançou o Dia Internacional da Animação, contando com diferentes grupos internacionais filiados, presentes em cerca de 51 países, inclusive o Brasil. O dia é organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) que realiza a mostra de curtas-metragens nacionais e internacionais em mais de 150 cidades em todo o país, além de palestras com animadores renomados.

O Brasil tem uma vasta história na animação. Começando com a influência dos cartunistas Raul Pederneiras em 1907 e depois, Álvaro Marins, que lançou “Kaiser”, primeira animação brasileira exibida nos cinemas, em 22 de janeiro de 1917. Nestes 91 anos foram produzidos 19 longas-metragens, centenas de curtas e milhares de filmes publicitários de animação. Atualmente o cinema de animação brasileiro vive um expressivo período de crescimento de sua produção o que se reflete na grande quantidade de filmes produzidos nos últimos anos; é cada vez maior o número de profissionais envolvidos, de técnicas, estilos e temas, gerando também um aumento na qualidade desses filmes.

Os filmes de animação atraíram 18,2 milhões de espectadores às salas de cinema brasileiras em 2006, o que representa um crescimento de 153% na procura pelo gênero em um período de quatro anos (em 2002 foram 7,2 milhões de pessoas). O volume de público acompanhou a evolução dos filmes de animação distribuídos no Brasil, que passou de 11 produções em 2002 para 21 títulos em 2006, além disso, a animação foi o gênero de filme mais assistido no Brasil em 2007, com média de público de 800 mil espectadores.

Algumas dessas conquistas tiveram ajuda da ABCA, fundada em 22 de Março de 2003, por 27 profissionais espalhados pelo Brasil. A ABCA representa os animadores junto a entidades públicas e privadas apoiando o desenvolvimento dessa arte industrial no país. A ABCA conseguiu editais específicos de animação, elaboração de pesquisa histórica e um censo para mapear todos os realizadores brasileiros.

Mas no começo a situação não era fácil para os animadores brasileiros, o Brasil não possuía os meios necessários para estudar as técnicas que já existiam, nem livros especializados a respeito do assunto, então cada desenho animado estrangeiro que era exibido nos cinemas servia como referência para os fanáticos que desejavam aprender os tais “macetes” da animação.  O panorama político do país também estava diretamente relacionado às mudanças, ora gerando facilidades ora dificuldades para o cinema de animação brasileiro.

Em 1986 Marcos Magalhães coordenou, em parceria com profissionais canadenses do National Film Board (NFB), um curso que se tornou referência na história da animação brasileira. Os participantes desta experiência produziram filmes e se tornaram em pouco tempo nomes de destaque da animação nacional. Atuando em TV, cinema, publicidade, curtas e séries, e agindo em distintas direções: trabalhando há anos para diversos estúdios de longas-metragens no exterior, produzindo regularmente no NFB, promovendo oficinas por todo o país. Além disso, três desses profissionais uniram-se com Marcos Magalhães para criar o importante festival Anima Mundi.

Toda essa história de vitórias, derrotas e principalmente muito esforço não deve ser esquecida. Devemos conhecê-la, repensá-la e compará-la com a nossa situação atual e as de outros países para que possamos evoluir no campo da animação.  Nesse artigo, vamos reviver a história de muitos animadores que mesmo com pouco ou nenhum incentivo, se esforçaram e se dedicaram, alguns até o resto de sua vida, para verem seus trabalhos concluídos. Aos que não conseguiram concluir, terão, ao menos seus nomes lembrados nessa obra, e sempre farão parte da História da Animação Brasileira.

Faça o download e confira o artigo na íntegra.

Foto: Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006), de Otto Guerra.

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