Videoarte:

o suporte de ideias em 1970

videoart

Por Carolina Amaral de Aguiar

Entre as novas práticas que invadiram museus e galerias nos anos 1970, o vídeo se destacou pelo imenso interesse que despertava, mas também pela dificuldade de acesso a sua tecnologia. Nesse contexto, as iniciativas do MAC-USP, dirigido por Walter Zanini, foram fundamentais para que os artistas pudessem se apropriar desse suporte, utilizando-o para transmitir suas idéias aos moldes da tendência conceitualista em voga: através de um veículo reprodutível, com grande potencial de alcance, rompiam com as características almejadas pelo mercado para democratizar o acesso à arte e inseri-la em espaços cotidianos.

A relação “fraternal” entre o VT e a TV foi marcada pelo conflito e por uma proposta de subversão da mídia televisiva, que alcançava hegemonia na época ao unir os interesses de grandes empresários com os desejos da ditadura militar vigente no país. Nas mãos dos artistas, o vídeo adquiria um caráter crítico da sociedade e um potencial criativo, sintonizado com o experimentalismo e com o ambiente da contracultura. A videoarte, em seu início, encontrou apoio em uma instituição museológica, o que foi fundamental para sua consolidação e seu reconhecimento como prática artística.

Esse processo de institucionalização ocorreu principalmente entre os anos de 1974 e 1978 – período em que esta pesquisa está centrada –, intervalo entre duas exposições: a Video Art, no Instituto de Arte Contemporânea da Universidade da Pensilvânia, para a qual Walter Zanini foi convidado a selecionar artistas brasileiros (os vídeos produzidos para a mostra datam de 1974, embora ela só tenha ocorrido em janeiro de 1975); e o I Encontro Internacional de Vídeo Arte de São Paulo, realizado no MIS.

A opção por dois eventos de caráter internacional – sendo que nenhum deles sediado no MAC-USP – reflete a consolidação da videoarte nos anos em que ocorreram as iniciativas do museu abordadas pela pesquisa. Se, no primeiro caso, os artistas brasileiros enfrentaram adversidades para participar da exposição norte-americana, mas fundaram uma primeira geração de videoartistas; no segundo, um encontro internacional de vídeo em São Paulo serviu de vitrine para as várias produções brasileiras e mundiais dos anos anteriores.


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s