Documentário indicado ao Oscar é 70% brasileiro, diz Meirelles

Cineasta comenta a polêmica de “Lixo Extraordinário” e brinca com divisão da estatueta entre britânicos e brasileiros

Guss de Lucca, iG São Paulo | 01/02/2011 13:58
 

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Fernando Meirelles fala sobre a estatueta do Oscar 2011: “Pensei em serrá-la ao meio”

Celebrado como o único representante brasileiro após o anúncio de indicados do Oscar 2011, o documentário “Lixo Extraordinário”, uma coprodução entre Brasil (através da O2 Filmes, de Fernando Meirelles) e Inglaterra, virou polêmica ao ter apenas sua parte britânica reconhecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Seguindo as regras da premiação, que permite que apenas duas pessoas sejam indicadas na categoria em questão, a Academia escolheu a diretora Lucy Walker e o produtor Angus Aynsley, ambos britânicos, para receber a possível estatueta de melhor documentário – deixando de fora da festa o produtor executivo Fernando Meirelles e os codiretores Karen Harley e João Jardim.

Gravado no Brasil, “Lixo Extraordinário” aborda o trabalho do artista plástico Vik Muniz com os catadores de lixo de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Apesar de concebido pelo produtor inglês, o longa-metragem teve sua maior parte filmada, dirigida e produzida por brasileiros.

“Na minha conta o filme é uns 70% brasileiro, já que foi financiado 50% pelo Brasil e ainda rodado e montado aqui. Oficialmente é uma coprodução Brasil/Reino Unido”, explica Fernando Meirelles.

De acordo com o cineasta, a O2 Filmes foi responsável pela captação de metade do financiamento do documentário, além de montar a equipe de brasileiros, fazer os contratos e produzir todas as filmagens – exceto as cenas rodadas na Inglaterra, que correspondem a 10% do filme. “Ainda chamamos os dois diretores brasileiros que trabalharam por seis meses por conta própria e montamos a primeira versão do filme aqui. Enfim. A O2 produziu o documentário”, afirmou, deixando claro que a contribuição do parceiro inglês foi também fundamental. “Foi dele a ideia de fazer o filme e foi ele quem colocou o barco em movimento.”

Questionado quanto a uma possível vitória da produção na cerimônia do Oscar, Meirelles sugeriu uma divisão curiosa da estatueta. “Pensei em serrá-la ao meio, a dúvida é quem fica com a parte de baixo. Talvez nós, os brasileiros, que somos menos racionais. Outra ideia seria serrá-la separando o lado esquerdo do direito – neste caso preferia ficar com o esquerdo, mais intuitivo. Se não me engano, quando se ganha o Oscar é possível pagar 12 mil dólares por uma réplica. Meio caro, não sei se vale.”

A 83ª edição do Oscar acontece no dia 27 de fevereiro, domingo, no Kodak Theatre, em Los Angeles, e será transmitida ao vivo para mais de 200 países.

Assista ao trailer de “Lixo Extraordinário”:


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