Começa hoje o Festival de Cinema de Berlim

Festival Internacional do Cinema de Berlim começará com Bravura Indômita, filme dos irmãos Cohen.
Reprodução

Festival de Berlim tem atrações para todos os gostos

Mariane Morisawa, enviada especial do IG a Berlim

08/02/2011 12:14

 

Foto: Divulgação

Robert De Niro em “Taxi Driver” (1975), de Martin Scorsese, que será exibido em cópia restaurada

Está lá no site do Festival de Berlim 2011: o programa é dividido em sete seções. No caso, Competição, Panorama, Fórum, Geração, Perspectiva do Cinema Alemão, Curtas-metragens e Retrospectiva – cada um tem seu diretor, que seleciona os participantes. Sete já seria um bom número, mas ainda há a Especial, a Homenagem e o Cinema Culinário. E também conferências sobre assuntos específicos, o mercado de cinema europeu e o campus de talentos.

Enquanto a Competição – neste ano, com 16 longas concorrendo aos troféus, mais oito fora de concurso – destaca obras maiores, com apelo juntos aos espectadores, a paralela Panorama foca nos independentes e nos filmes de arte. E ela é gigante, com 53 participantes, que concorrem ao prêmio do público. Os principais temas deste ano envolvem intimidade, migração e corrupção.

Mas os experimentais mesmo, esses estão no Fórum, com 39 produções na programação principal, mais seis sessões especiais e oito trabalhos do japonês Shibuya Minoru. Também tem essa cara, só que voltada para o cinema local, a Perspectiva do Cinema Alemão, com 6 ficções e 5 documentários. A seção Geração, por sua vez, procura obras que tenham como objetivo atingir jovens e adultos. As melhores na opinião do júri da Geração ganham os Ursos de Cristal. Neste ano, são 59 filmes, divididos por idade: Kplus para crianças e pré-adolescentes, 14plus, para adolescentes. A seção também conta com curtas-metragens, presentes ainda na mostra competitiva do formato, com 25 concorrentes – em 2011, nomes famosos, como Spike Jonze (“Quero Ser John Malkovich”) e Park Chan-wook (“Oldboy”), estão entre os candidatos aos troféus.

Já a Retrospectiva foca num grande nome do cinema mundial. E bota grande nisso: na 61ª edição, o público vai poder ver ou rever obras-primas do sueco Ingmar Bergman, como “O Sétimo Selo”, “Fanny e Alexander” e “Sonata de Outono”. O grande homenageado, que vai receber o Urso de Ouro Honorário, é o ator alemão Armin Mueller-Stahl, que acaba de completar 80 anos. Ele trabalhou com Rainer Werner Fassbinder em “Lola” e foi indicado ao Oscar por “Shine”.

No Cinema Culinário, são apresentados 12 filmes relacionados com comida. Grandes chefs, como Michael Hoffmann e Tim Raue, preparam um menu baseado nas produções, que pode ser degustado pelos espectadores após as sessões das 19h30.

E, se o público ainda sentir falta de nomes mais famosos, há a seção Especial. Nesta edição, serão exibidos “O Discurso do Rei”, favorito ao Oscar 2011, com a presença do diretor Tom Hooper e dos atores Colin Firth e Helena Bonham Carter; “Late Bloomers”, de Julie Gavras, com a presidente do júri Isabella Rossellini; “Sacrifice”, do chinês Chen Kaige, e uma cópia restaurada de “Taxi Driver”, de Martin Scorsese. Aqui não é exagero: atração, realmente, não vai faltar.

O Cinema Brasileiro em Berlim

10/02/2011 20:35,  Por Rui Martins

Embora já premiado com dois Ursos de Ouro, o cinema brasileiro não participa este ano da Competição, no Festival Internacional de Cinema de Berlim que começa nesta quinta-feira, mas há uma atração na mostra Panorama: a sequência do filme de José Padilha, Tropa de Elite 2, com projeção amanhã para a imprensa, e em outros quatro dias para o público alemão.

Outro filme brasileiro está na mostra Forum – Os Residentes, de Tiago da Mota Machado, e na mostra dos novos cineastas, a mostra Geração, está o filme de Roberto Targino, Ensolarado, já exibido no Festival de Locarno.

Estou de volta ao Festival de Berlim, como jornalista convidado, depois de uma longa ausência. Deixei de vir a Berlim, alguns anos depois da vitória de Walter Salles com o seu extraordinário Central do Brasil. Ainda hoje me lembro dos longos e demorados aplausos do público ao terminar o filme, naquele fevereiro de 1998, numa verdadeira consagração. Gravei e fiz questão de manter os aplausos no fundo, enquanto anunciava para os ouvintes da CBN e previa uma premiação.

Hoje ao desembarcar e até mesmo me perder no metrô de Berlim, me senti feliz por reencontrar a cidade e poder ver, novamente, tantos filmes de regiões distantes que nunca poderei assistir num cinema normal comercial. Conheci Berlim ainda dividida e com o Muro, asssisti os primeiros anos da reunificação, ainda vendo filmes da Berlinale, no cinema Zoo Palast e sempre admirei a cidade, diferente de Paris com o charme de ser uma porta para o Leste.

O Festival Internacional de Cinema de Berlim, o terceiro no ranking dos grandes festivais, vai até o dia 20, com 16 filmes em competição e uma homenagem ao cineasta Jafar Panahi, com a projeção do seu filme, Offside, premiado com o Urso de Prata em 2006.

Impedido de comparecer no Festival, onde faria parte do júri, pois foi condenado a seis anos de prisão no Irã e proibido de fazer cinema por 20 anos. Jafar Panahi será lembrado pelo diretor do festival, Dieter Kosslick, que, num comunicado já divulgado, protesta contra essa prisão que viola o direito de liberdade de expressão nas artes.

Outros filmes de Panahi serão mostrados nas outras seções do festival, Panorama, Forum, Geração e Curtas do Festival. Haverá também, dia 17 de fevereiro, um debate reunindo cineastas e iranianos no exílio sobre a censura e a falta de liberdade para os diretores de cinema no Irã.

Será atração em Berlim a projeção do filme em 3D do cineasta Werner Herzog, A Caverna dos Sonhos Perdidos. Dois outros filmes em terceira dimensão serão exibidos no festival – Pina, de Wim Wenders, sobre a célebre coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch; e um filme francês de desenho animado de Michel Ocelot, Contos Noturnos.

Concorrem, o filme húngaro O Cavalo de Turin, de Bela Tar; uma coprodução franco-mexicano-polonesa-alemã, da cineasta Paula Markovitch, O Prêmio; o filme iraniano Nader e Simin, uma Separação, de Asghar Farhadi; Contos Noturnos, de Michel Ocelot, francês; Margin Call, do americano JC Chandor; o filme coreano Come Rain Come Shine, de Lee Yoon; a coprodução franco-alemã-holandesa Sleeping Sickness, dirigida por Ulrich Koehler; a coprodução argentino-uruguaia-alemã Um Mundo Misterioso, de Rodrigo Moreno; o filme dos EUA The Forgiveness of Blood, dirigido por Joshua Marston; o filme coprodução russo-ucraniana-alemã Sábado Inocente, de Alexander Mindadze; a coprodução turco-alemã-holandesa Nosso Grande Desespero, de Seyfi Teoman; o filme inglês Coriolanus de Ralph Fiennes; a coprodução inglesa-israelense, Odem, de Jonathan Sagall; a coprodução alemã-americana O Futuro, de Miranda July; o filme alemão Se não Nós, Quem de Andres Veiel e o filme dos EUA Yelling to the Sky, de Victoria Mahoney.

Rui Martins, jornalista e escritor, correspondente em Genebra, é convidado do Festival de Berlim.

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