Lançamento de Léo e Bia, de Oswaldo Montenegro, reúne grande público no Cine Bancários em Porto Alegre. Confira a entrevista

Amigas e Amigos,

As últimas semanas tem sido muito corridas. Desculpem a falta de novo post.

Pois bem para me “redimir” faço este post sobre o filme “Léo e Bia” do cantor e agora diretor de cinema Oswaldo Montenegro.

Fui para a pré-estreia, na última terça-feira, mais para ver a “função” e me distrair das “agruras da vida”, tive uma bela surpresa, o filme é muito bom e o Oswaldo Montenegro além de não ser chato pareceu bem inteligente.

A seguir entrevista com Oswaldo Montenegro e posteriormente a grade de exibição do filme no CineBancários que está localizado no Centro Histórico em Porto Alegre.

Assistam! Vale a pena!

Oswaldo Montenegro viu os ingressos para sessão de estreia de seu primeiro filme, Léo e Bia, se esgotarem em sete minutos nesta terça, dia 23. Desde às 17h30, uma enorme fila se formava na bilheteria, aguardando o início da sessão, às 19h. Após a exibição, Oswaldo conversou com a platéia e respondeu a perguntas.

.: Veja a galeria de imagens

Adaptado de uma peça de teatro escrita e dirigida por Montenegro na década de 80, Leo e Bia apresenta a história Léo, um diretor de teatro, e seis amigos. Eles ensaiam uma peça de teatro que tece comparações entre Jesus Cristo e o cangaceiro Lampião, em plena ditadura militar. Ao mesmo tempo, apresenta o drama de Bia, que é oprimida pela mãe doente.

Com um financiamento de R$ 300, tirados do bolso do próprio músico, o longa foi gravado em dez dias, após cinco meses de ensaios. A audácia de Léo, diretor da peça, pode ser comparada com a de Montenegro ao realizar a produção. Concebido primeiramente para ser uma “experimentação audiovisual”, como definiu o músico, o longa se passa em um único cenário e não há objetos, aproximando cinema de teatro. “Eu realmente acreditava, há dez anos, que era impossível fazer Léo e Bia. O filme é sobre isso, sobre ser possível fazer o que quiser”, explica o diretor.

Léo e Bia recupera uma época em que as pessoas acreditavam no sonho coletivo e realizavam as coisas juntos. Para Montenegro, o CineBancários, uma sala que funciona dentro de um Sindicato, construída por uma categoria, “tem tudo a ver com o filme”. “O mundo só andou quando alguém que não estava nem aí para o que era impossível foi lá e fez. A quantidade de coisas que se relacionam para que uma outra aconteça são impossíveis de prever”, conclui.

Em entrevista à redação do SindBancários, antes de conversar com o público, Montenegro falou sobre os desafios em se fazer cinema, o modo experimental como conduziu Léo e Bia e sobre utopia, o sonho coletivo e amizade, ideais que movem a história do longa.

Leia abaixo:

SindBancários: Da peça ao filme, se passaram mais de 25 anos. Quando surgiu a ideia de adaptar Leo e Bia para o cinema?

Oswaldo Montenegro: Sempre pensei em filmar Léo e Bia. Mas só achei que era viável quando encontrei o elenco e uma equipe técnica que acreditassem na minha ideia peculiar de como fazer o filme. Leo e Bia se passa em Brasília, mas eu não queria mostrar a arquitetura do DF, o cerrado. Eu queria mostrar como as pessoas se sentem morando lá. Queria que a história fosse clara, mas tivesse inovações.

Toda vez que a Bia se sente sufocada pela mãe, aparecessem cordas vermelhas. É uma ideia totalmente simbolista. Queria fazer um filme com atores hiper-realistas, mas com cenas não tão realistas assim. Quando achei uma equipe e um elenco que compraram a briga, mandei bala.

S: No princípio, Léo e Bia era pra ser mais um experimento audiovisual. Com os elogios por parte da crítica, já pensa em fazer outro filme?

O: Não sei se farei outro, mas se fizer, será nessa onda. Não tenho formação pra ser um diretor de cinema. Sou um cara que faz as coisas diferentes. Se querem chamar Léo e Bia de filme, bacana. Se a critica gostou, fico felicíssimo, mas não conseguiria dirigir outro tipo de filme.

S: Um dos pontos fortes de Léo e Bia é como o filme assume a linguagem do teatro. De que forma esses cinco meses de ensaio, de experimentações com movimentos de câmera, foram determinantes para se chegar ao resultado final?

O: A linguagem teatral está muito bem inserida no Leo e bia porque se passa em um teatro, mas nunca é teatral. O tempo todo o espectador vê o que acontece em uma posição que os espectadores de teatro não vêem. A câmera está atrás dos atores, em cima, em baixo. É um filme em que a linguagem ardilosamente foge da linguagem do teatro.

Tem um diálogo em que a Marina e o Leo conversam em outro cenário, mas sem sair do lugar. Isso parece teatral, mas tudo é mostrado com cortes rápidos, próprios do cinema. É uma ilusão de que é linguagem teatral. Claro; só conseguimos esse resultado depois de ensaiar muito com os câmeras e os atores.

S: Outro ponto que chama a atenção é a atuação dos atores, que eram em sua maioria muito jovens. Foi muito rígido com eles nos ensaios?

O: Eram atores com alguma experiência. Não digo que fui rígido, mas os levei na direção da estética que estava buscando. Eles estavam interpretando atores de teatro mas não podiam ter uma apresentação teatral. Queria deles um realismo na interpretação, não algo naturalista, mas realista. Tive essa convicção e foi na direção dela. Não diria que fui rígido.

S: Quando sentou no cinema e viu Léo e Bia finalizado, o que mais te surpreendeu?

O: Quando o Cabelo conta pra mãe dele que é gay, que foi a primeira tomada dele em frente a uma câmera, ele nunca havia feito cinema na vida, ele conseguiu uma atuação muito verdadeira, que me emocionou muito. A cena final, em que a Paloma fala o texto…Também teve a química entre a mãe da Bia e a Bia. As duas atrizes fizeram um verdadeiro carnaval emocional, arrasaram, arrebentaram. Fiquei ali, entre o ódio absoluto e o amor eterno, o tempo todo. Isso é um mérito muito grande delas.

S: Qual foi o maior desafio ao largar o violão, assumir a câmera e dirigir o primeiro filme?

O: Foi convencer a equipe, o elenco, que eu ia fazer Léo e Bia assim. Por exemplo, a Paloma começa o filme dizendo que irá interpretar o papel que mais admira na vida. Esse tipo de início remete ao documentário. Foi um desafio convencer as pessoas que a gente ia fazer assim. Também não ia mostrar o Congresso Nacional, nem Brasília visto de cima, mas sim por dentro.

O filme também não tem nenhum objeto, nem se quer um único objeto. Quando a produtora me perguntou “e aí, quem vai ser o aderecista”, eu disse que não ia ter porque não vai ter adereço. Eles entram num bar e não tem garçon. Esse foi o desafio.

S: O CineBancários é uma sala que funciona dentro de um Sindicato, e foi construído a partir do coletivo. A ideia chegou a ser vista como utópica. Léo e Bia recupera um momento em que as pessoas eram menos individualistas, tinham “menos vergonha de sonhar”, como comentou em uma entrevista. O que achas de lançar Léo e Bia no CineBancários?

O: O filme tem muito a ver com a sala. Esse história de que as coisas são utópicas…O mundo só andou quando alguém não estava nem aí para o que era possível. O mundo anda por causa de gente que diz que é impossível, mas vai lá e faz. Essa coisa de ser impossível parece ser muito lógica, cartesiana, mas é relativa. A vida traz muitas surpresas, e a quantidade de coisas que se relacionam para que uma coisa aconteça, é impossível prever.

Determinar que algo é impossível é uma pretensão, determinar que ela é possível também. Só nos resta ir fazendo. O mundo, o tempo, as pessoas é que determinam se aquilo é possível ou não. Eu realmente acreditava, há 10 anos, que era impossível fazer um filme. Léo e Bia é sobre isso, sobre ser possível fazer o que você quiser. Só não dá pra garantir, mas você vive aí tentando. É uma loteria sempre. Tudo pode estar a um segundo de acontecer. Mas vamos embora, sentar o cacete e ver no que dá!

S: Como vê temas centrais do filme, como a amizade, o coletivo, nos dias de hoje?

O: A tendência é o equilíbrio. A geração de hoje não quer se iludir, fazer papel de bobo, suar a toa, morrer por uma causa. Ela não é individualista porque se preocupa com o ente. Nos anos 80 não havia essa preocupação. Madona é o símbolo dessa doença, ela é o símbolo de dizer “fui lá, armei, produzi, sou ambiciosa, quero ganhar dinheiro mesmo”. E o mundo idolatra ela.

Eu não entendo isso, não aceito. Amo os artistas, aqueles que são artistas mesmo. Madona é produtora, comerciante. Eu não tenho a ingenuidade de que artista não deve ganhar dinheiro. Mas deve ganhar com uma coisa que ele compôs sem saber que aquilo ia dar dinheiro, ou sabendo, mas não deixando se influenciar por isso.
Sábado (26 de fevereiro)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Domingo (27 de fevereiro)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Léo e Bia – 2º Semana

Terça-feira (1º de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Quarta-feira (2 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Quinta-feira (3 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Sexta-feira (4 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Sábado (5 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Domingo (6 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Léo e Bia – 3º Semana

Terça-feira (8 de fevereiro)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Quarta-feira (9 de fevereiro)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Quinta-feira (10 de fevereiro)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Sexta-feira (11 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Sábado (12 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Domingo (13 de março)
15h – Léo e Bia
17h – Léo e Bia
19h – Léo e Bia

Fonte: Imprensa/SindBancários

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